quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Num piscar de olhos

Num piscar de olhos...
O mundo desaparece e sinto-te ao meu lado,
a abraçar-me, a beijar-me, a acariciar-me...
Sinto teu cheiro, ouço tua voz,
provo de teu beijo...
Teus lábios a tocarem os meus,
a deslizarem pelo meu corpo...
Teus lábios a sussurrarem em meu ouvido...
Sinto teu desejo, sinto tua vontade
misturar-se a tua ansiedade...
Sinto teu sentimento, tua paixão, teu desalento...
Sinto também meu sentimento...
Tudo a resumir-se em tua imagem,
em teu toque, em teu cheiro...
Tudo em minha frente, mas ao mesmo tempo
tão distante...
Estico meus braços para abraçar-te,
mas não consigo...
Sinto-te sem tocar-te, ouço-te sem ouvir-te,
beijo-te sem beijar-te...
Minhas mãos sentem as tuas,
meu corpo sente teu calor,
ouço tua respiração...
Num piscar de olhos...
Vejo a luz...
Não mais sinto-te, sumiste, desapareceste...
Percebo que teu toque, teus beijos, teu calor,
eram na verdade os raios do
sol que me abraçavam...
Percebo que teu cheiro, tua respiração,
era a brisa que me envolvia,
que tua emoção não passava da chuva que me molhava
e que a mão que segurava a minha
não passava de minha própria,
uma a consolar a outra...
Sinto agora meu desejo, meu sentimento,
minha paixão, minha emoção...
Sinto o que não se sente,
a falta do ausente que há um instante atrás se
fazia presente...
Num piscar de olhos...
Tu reapareces perante a mim, novamente vejo-te,
sinto-te, toca-me...
Num piscar de olhos...
Somes...
Num piscar de olhos...
Durmo o sono eterno para assim não mais enxergar
a luz, pois de que adianta ver o sol
se na realidade não é ele quem me aquece...
de que adianta sentir a chuva,
se ela não me sacia...
de que adianta envolver-me com o vento
se ele se vai a todo instante...
Durmo agora, para assim não mais acordar,
não mais ter que ver o real,
pois já que não posso ter-te, nada melhor do que
a ilusão de ver-te, sentir-te, tocar-te...
De que me adianta a realidade se na verdade
vivo na ilusão, se na verdade
não há verdade, não há mentiras, não há nada
só há alguém, só há sentidos, só há vontade,
só há sonhos, só há você...

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